Em um ambiente político frequentemente dominado por discursos, versões e disputas de narrativas, os números oferecem um ponto de partida mais objetivo.
Levantamento do projeto Promessas dos Políticos, do portal G1, mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu integralmente 26 dos 36 compromissos acompanhados desde a campanha eleitoral de 2022.
O balanço considera o período entre 1º de janeiro de 2023 e 30 de junho de 2026.
Em termos percentuais, 72,2% das promessas foram classificadas como totalmente cumpridas, 11,1% foram executadas parcialmente e 16,7% ainda permaneciam pendentes.
Ao reunir compromissos integrais e parciais, o governo apresentou algum grau de execução em 83,3% das propostas monitoradas.O resultado ganha relevância porque não se trata apenas de um balanço elaborado pelo próprio Governo Federal.
O acompanhamento é realizado por jornalistas do G1, a partir de uma metodologia aplicada desde 2015, considerando compromissos assumidos em planos de governo, entrevistas, debates, discursos e sabatinas.
Entre as principais entregas estão duas mudanças estruturais: a aprovação da reforma tributária e a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais.
A reforma instituiu novos tributos sobre o consumo, mecanismos de devolução de impostos para famílias de baixa renda e alíquota zero para produtos integrantes da Cesta Básica Nacional.
A nova legislação do Imposto de Renda, por sua vez, passou a produzir efeitos em janeiro de 2026.
As ações também alcançaram áreas diretamente relacionadas à vida cotidiana.
O Minha Casa, Minha Vida foi retomado em 2023 com novas regras e prioridade para famílias de baixa renda.
Em seus dois primeiros anos após a retomada, o programa registrou mais de 1,2 milhão de moradias contratadas.
Na saúde, o Farmácia Popular passou a oferecer gratuitamente os 41 medicamentos e insumos de sua lista, enquanto o Mais Médicos voltou a ser ampliado para fortalecer o atendimento nos municípios.
Essas medidas dialogam com as diretrizes apresentadas na campanha de 2022, que defendiam a reconstrução das políticas sociais, a valorização da renda, o combate à fome, a retomada dos investimentos públicos e a criação de um sistema tributário mais progressivo.
O desempenho, entretanto, não elimina pendências.
Seis compromissos ainda não haviam sido cumpridos até o encerramento do levantamento, entre eles a recriação de um Ministério da Segurança Pública.
Outros quatro apresentavam avanços, mas continuavam com etapas ou objetivos incompletos.
Também é necessário estabelecer uma distinção importante: os 72,2% não correspondem a todo o plano de governo, mas às 36 promessas selecionadas e acompanhadas pelo G1.
Da mesma forma, aprovar uma lei ou recriar um programa comprova uma entrega institucional, mas seus resultados definitivos dependem da execução orçamentária, da cobertura alcançada e dos efeitos produzidos sobre a população.
Ainda assim, o balanço revela um governo que conseguiu retirar parte expressiva de seus compromissos do campo eleitoral e levá-los para a legislação e para as políticas públicas.
Em uma democracia, prometer faz parte da campanha; executar é o que diferencia o discurso da responsabilidade administrativa.
Ao chegar à reta final do mandato com mais de sete em cada dez promessas monitoradas integralmente cumpridas, Lula apresenta um desempenho objetivo e verificável.
O resultado não significa que todos os problemas nacionais estejam resolvidos, mas demonstra que uma parcela significativa do projeto apresentado à população foi convertida em ações concretas.
QUADRO DO LEVANTAMENTO
por Humberto Brassioli Corsi – Redator Chefe
