Em um cenário político marcado pela atuação de diferentes frentes temáticas no Congresso Nacional, um novo movimento busca abrir espaço para uma pauta historicamente reivindicada por sindicatos e entidades representativas: uma bancada parlamentar dedicada exclusivamente aos interesses da classe trabalhadora.Idealizada por Moisés Selerges, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e pré-candidato a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em São Paulo, a Bancada dos Trabalhadores e Trabalhadoras pretende reunir parlamentares comprometidos com políticas voltadas ao emprego, valorização do trabalho, proteção social e ampliação de direitos.

A proposta parte de uma constatação frequentemente debatida por cientistas políticos e representantes sindicais: o Congresso Nacional abriga diversas frentes parlamentares organizadas em torno de setores econômicos ou de interesses específicos — como agronegócio, segurança pública, empreendedorismo, saúde e educação — enquanto não existe uma frente consolidada formada exclusivamente para representar os interesses gerais dos trabalhadores brasileiros.
Segundo os organizadores do movimento, o objetivo não é criar uma bancada corporativa, mas estabelecer uma articulação permanente capaz de defender políticas públicas voltadas ao mundo do trabalho, independentemente da categoria profissional.
Um programa centrado no trabalhador
O documento apresentado pela Bancada dos Trabalhadores reúne treze compromissos considerados prioritários.
Entre eles estão propostas para:
* valorização permanente do salário mínimo;
* redução gradual da jornada de trabalho;
* combate à fraude da pejotização;
* proteção aos trabalhadores de aplicativos;
* fortalecimento da previdência pública;
* políticas de saúde física e mental para trabalhadores;
* qualificação profissional voltada às novas tecnologias;
* combate à desigualdade salarial entre homens e mulheres;
* incentivo ao empreendedorismo por oportunidade, e não por necessidade;
* ampliação do acesso à moradia, transporte e cultura.
Outro eixo defendido pelo movimento é o impacto da transformação tecnológica nas relações de trabalho.
A proposta sustenta que ganhos de produtividade proporcionados pela automação e pela inteligência artificial também devem resultar em melhores salários, redução de jornadas e maior proteção social aos trabalhadores.
Trajetória ligada ao movimento sindical
Moisés Selerges construiu sua trajetória no movimento sindical após iniciar sua carreira como operário da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo.
Ao longo de quatro décadas de atuação, ocupou diferentes cargos no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, sendo eleito presidente da entidade em 2022.

A organização ressalta que sua candidatura conta com o apoio político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores e da direção estadual da legenda em São Paulo, inserindo o projeto dentro da estratégia nacional do partido para ampliar a representação das pautas trabalhistas no Congresso.
Debate sobre representatividade
Independentemente do posicionamento político do eleitor, a iniciativa amplia um debate relevante sobre representação institucional.
Historicamente, diferentes segmentos da sociedade organizaram frentes parlamentares para defender interesses específicos.
O surgimento de uma bancada voltada exclusivamente ao trabalho recoloca em discussão qual espaço a classe trabalhadora ocupa na formulação das políticas públicas nacionais.
Para seus defensores, trata-se de fortalecer a voz de quem movimenta a economia do país.
Para críticos, como toda proposta política, caberá ao eleitor avaliar a viabilidade das medidas apresentadas e a capacidade do movimento de transformar essas pautas em resultados concretos.
Com as eleições de 2026 se aproximando, a Bancada dos Trabalhadores e Trabalhadoras surge como uma das iniciativas que buscam reorganizar a representação política em torno das relações de trabalho, propondo que temas como emprego, renda, proteção social e valorização profissional ocupem posição central no debate legislativo dos próximos anos.
por Humberto Brassioli Corsi – Redator Chefe

