Enquanto moradores ainda convivem com aumento da pressão tributária, criação de novas taxas e cobrança de estacionamento rotativo, a Prefeitura de Vargem Grande Paulista encaminhou à Câmara Municipal um projeto que autoriza a contratação de um financiamento superior a R$ 51,3 milhões junto à Desenvolve SP para obras de pavimentação e recapeamento.

O valor, por si só, chama atenção.

Mais do que isso, o projeto prevê que receitas futuras do município poderão servir como garantia da operação financeira, comprometendo parte da arrecadação que será administrada pelos próximos governos.

A pergunta que naturalmente surge é:

Por que um município que afirma manter as contas sob controle necessita recorrer a um empréstimo dessa magnitude?

Se a resposta é investimento, outra questão se impõe.

Por que esse investimento depende de endividamento e não de planejamento financeiro?

Gestões públicas eficientes costumam equilibrar prioridades, cortar desperdícios, revisar contratos, melhorar a arrecadação sem elevar a carga sobre o cidadão e utilizar financiamentos apenas quando existe demonstração clara da necessidade, da viabilidade financeira e do retorno social.

Até o momento, porém, permanece um debate que ainda carece de respostas públicas suficientemente detalhadas.

• Qual o cronograma completo das obras?

• Qual será o custo final da operação considerando juros e encargos?

• Em quantos anos o município pagará essa dívida?

• Qual será o impacto sobre os próximos orçamentos?

• Quais alternativas foram estudadas antes da contratação do financiamento?

Essas respostas interessam diretamente ao contribuinte.

UMA CONTA QUE PODE FICAR PARA OS PRÓXIMOS GOVERNOS

Empréstimos públicos não desaparecem com o encerramento de um mandato.

Eles permanecem.

São pagos durante anos.

E acabam limitando a capacidade de investimento das futuras administrações.

Por isso, especialistas em gestão pública costumam defender que operações de crédito sejam acompanhadas de amplo debate técnico e máxima transparência sobre riscos, custos e benefícios.

Afinal, quem assina o contrato é o governo de hoje.

Quem paga a conta pode ser a população durante muitos anos.

MAIS IMPOSTOS. MAIS TAXAS. AGORA, MAIS DÍVIDA?

A discussão também ocorre em um contexto que parte da população associa ao aumento da arrecadação municipal.

Nos últimos anos, diversas medidas ampliaram a cobrança sobre o contribuinte, como a instituição da taxa de lixo, implantação da Zona Azul e outras iniciativas arrecadatórias frequentemente criticadas por moradores.

Agora surge uma nova pergunta:

Se a arrecadação aumentou, por que ainda é necessário recorrer a um financiamento superior a R$ 51 milhões?

É uma questão legítima que merece esclarecimento.

O PAPEL DA CÂMARA

Outro aspecto observado por parte da população é a recente movimentação política dentro do Legislativo, interpretada por opositores como uma reorganização que poderia favorecer a aprovação de matérias estratégicas do Executivo. A famosa “dança das cadeiras“.

Não há, até o momento, demonstração pública de irregularidade nessa movimentação, mas ela inevitavelmente aumenta a responsabilidade dos vereadores na análise técnica do projeto.

A expectativa é que a votação seja acompanhada de estudos financeiros, pareceres detalhados e amplo debate público, permitindo que cada parlamentar explique claramente ao eleitor as razões de seu voto.

TRANSPARÊNCIA NÃO É OPÇÃO. É OBRIGAÇÃO.

Contrair uma dívida pública pode ser uma ferramenta legítima de gestão quando acompanhada de planejamento, responsabilidade fiscal e ampla prestação de contas.

Mas quanto maior o valor do financiamento, maior deve ser o nível de transparência.

Mais do que aprovar um projeto de lei, a população espera compreender:

Por que o empréstimo é necessário?

Quanto realmente custará?

Quem pagará essa conta?

Porque, no fim das contas, empréstimos públicos nunca pertencem ao governo.

Pertencem aos contribuintes.

por Humberto Brassioli Corsi – Redator Chefe


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