COLÓQUIOS & REFLEXÕES

A política é uma ciência humana. Talvez por isso seja tão fascinante e, ao mesmo tempo, tão contraditória.

Ao longo dos anos, aprendi que ideias costumam ser bem-vindas enquanto servem aos interesses de alguém.

A verdade, porém, raramente recebe a mesma recepção.

Existe uma diferença enorme entre trabalhar com pessoas e trabalhar para agradar pessoas.

Nem sempre quem questiona está contra.

Muitas vezes é justamente quem mais se importa com o projeto, com a instituição ou com o resultado final.

Mas há um problema: questionamentos incomodam.

Incomodam porque exigem reflexão.

Exigem revisão de rotas.

Exigem admitir que ninguém possui todas as respostas.

E admitir isso ainda é um desafio para muita gente.

Em diversos ambientes políticos e profissionais, valoriza-se a lealdade. Nada de errado nisso. O problema começa quando a lealdade é confundida com silêncio, concordância automática ou submissão intelectual.

A partir desse momento, a crítica deixa de ser vista como contribuição e passa a ser tratada como ameaça.

O profissional que pensa diferente torna-se inconveniente.

O assessor que apresenta riscos torna-se pessimista.

O comunicador que aponta incoerências torna-se difícil.

O estrategista que questiona decisões torna-se um problema.

E assim, pouco a pouco, substitui-se a inteligência coletiva pela zona de conforto.

Talvez por isso tantos projetos fracassem não por falta de recursos, mas por falta de escuta.

A verdade é que pessoas inteligentes não precisam estar sempre certas. Precisam apenas estar dispostas a ouvir.

Humildade não é fraqueza.

Humildade é compreender que nenhuma posição de poder torna alguém dono da verdade.

• A cadeira muda.

• O cargo muda.

• O mandato termina.

• O crachá perde validade.

Mas o caráter permanece.

E é justamente nesse ponto que muitos se perdem.

Lembram dos amigos quando precisam de ajuda.

Esquecem dos mesmos amigos quando alcançam seus objetivos.

Celebram a parceria durante a subida.

Ignoram os parceiros quando chegam ao topo.

Talvez porque alguns enxerguem relacionamentos como ferramentas e não como pessoas.

Mas a vida tem um hábito curioso: ela sempre devolve aquilo que ensinamos ao mundo.

Por isso, mais importante do que conquistar espaços é saber como chegamos até eles.

Mais importante do que liderar é inspirar.

Mais importante do que vencer é permanecer digno da própria trajetória.

O Brasil não precisa apenas de melhores políticos. Precisa de melhores seres humanos.

A política não será transformada apenas por novas leis, novas siglas ou novas estratégias eleitorais.

Ela será transformada quando a empatia voltar a ocupar espaço onde hoje existe apenas vaidade.

Quando a verdade voltar a ser mais importante que a conveniência.

Quando a escuta voltar a ser mais importante que o aplauso.

E quando percebermos que pensar diferente não é uma ameaça.

É justamente o que permite evoluir.

Porque quem se cerca apenas de quem concorda pode até se sentir forte.

Mas dificilmente se torna melhor.

por Humberto Brassioli Corsi – Redator Chefe


Compartilhar.
Deixe Uma Resposta

Português do Brasil
Exit mobile version