O futuro do Teatro Municipal de Cotia passou a gerar questionamentos entre artistas, produtores culturais e agentes da sociedade civil.

A Prefeitura de Cotia publicou o Chamamento Público nº 001/2026, que prevê a seleção de uma Organização da Sociedade Civil (OSC) para assumir a gestão do equipamento cultural por um longo período contratual.

A discussão, no entanto, vai além dos aspectos administrativos.

O Teatro Municipal não é apenas um prédio. Trata-se de um patrimônio público construído com recursos da população e que deveria cumprir uma função social estratégica:

•democratizar o acesso à arte,

•fortalecer artistas locais,

•fomentar a economia criativa e

•ampliar a formação cultural da cidade.

A pergunta que surge é simples:

Quem deve decidir o futuro da cultura em Cotia?

Embora a legislação permita parcerias entre o poder público e organizações da sociedade civil, especialistas em gestão cultural defendem que decisões dessa magnitude precisam ser precedidas por amplo diálogo com a comunidade artística, conselhos de cultura e a população em geral.

A própria cidade possui instrumentos de participação social na área cultural, como o Conselho Municipal de Cultura e mecanismos de escuta pública já utilizados em outras políticas do setor.

O debate não é necessariamente sobre ser contra ou a favor de uma OSC.

A questão central é garantir transparência, controle social e compromisso público com a cultura.

Quais serão as contrapartidas exigidas?

Como ficará o acesso dos artistas locais?

Haverá gratuidade para parte da programação?

Quem fiscalizará o cumprimento das metas?

A cultura não pode ser tratada apenas sob a lógica da gestão eficiente. Ela é um direito garantido constitucionalmente e um instrumento de transformação social.

Nos últimos anos, Cotia tem ampliado sua agenda cultural, realizado editais, fortalecido o Conselho Municipal de Cultura e promovido ações de participação popular no setor.

Justamente por isso, muitos agentes culturais defendem que uma decisão dessa relevância deve ser construída coletivamente.

Mais do que discutir um contrato, o momento exige uma reflexão sobre qual modelo cultural a cidade pretende construir para as próximas décadas.

Afinal, quando falamos de cultura, não estamos discutindo apenas a gestão de um teatro.

Estamos discutindo quem terá voz, espaço e oportunidade de produzir arte em Cotia.

E essa é uma decisão que pertence à cidade inteira.

por Humberto Brassioli Corsi – Redator Chefe


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