A cidade de Osasco se vê diante de um episódio que ultrapassa a esfera administrativa e toca diretamente no direito à memória, à educação e ao acesso à cultura.
Milhares de livros da biblioteca municipal foram descartados após apresentarem contaminação por fungos — uma justificativa técnica que, embora plausível, não encerra o debate.
O caso foi trazido à tona pelo vereador Héber Farias, integrante do Coletivo Juntoz (PT), que utilizou suas redes sociais para expor a situação por meio de um vídeo que rapidamente ganhou repercussão.
A denúncia que rompe o silêncio
Em seu posicionamento público, Héber Farias não apenas denuncia o descarte, mas questiona o processo que levou a ele.
A exposição do caso, inclusive por meio de um reels publicado em suas redes, coloca luz sobre um problema que, até então, permanecia restrito aos bastidores da administração pública.
Mais do que uma crítica pontual, trata-se de um gesto político que reafirma o papel fiscalizador do legislativo municipal — especialmente quando envolve patrimônio público e acesso ao conhecimento.
Fungos são consequência, não causa
A contaminação por fungos em acervos bibliográficos é amplamente conhecida por especialistas como resultado de falhas básicas de conservação:
• controle inadequado de umidade
• ventilação insuficiente
• armazenamento precário durante longos períodos
Casos semelhantes já ocorreram em cidades como Ponta Grossa e até em instituições de grande porte como o Arquivo Nacional, sempre com um ponto em comum: a ausência de política contínua de preservação.
Uma obra, dois governos e um problema acumulado
O episódio em Osasco não surge de forma isolada. Ele está diretamente ligado ao processo de reforma da biblioteca municipal, iniciado na gestão do ex-prefeito Rogério Lins.
Durante esse período, segundo relatos, o acervo foi armazenado de maneira inadequada, criando as condições ideais para a deterioração progressiva dos materiais.
Já na atual gestão do prefeito Gerson Pessoa, com aproximadamente um ano e meio de mandato, o desfecho foi a decisão pelo descarte de milhares de livros — consolidando um problema que, ao que tudo indica, vinha sendo prorrogado há anos.
Quando o poder público falha, a sociedade perde
O impacto do descarte vai além da perda física dos livros. O que está em jogo é:
• o investimento público já realizado
• o acesso da população ao conhecimento
• a preservação da memória cultural da cidade
E, sobretudo, a confiança na capacidade do poder público de gerir aquilo que é coletivo.
Havia alternativas?
Especialistas apontam que, dependendo do estágio de contaminação, medidas poderiam ter sido consideradas:
• processos de higienização técnica
• isolamento do material contaminado
• restauração especializada
• digitalização do conteúdo antes da perda definitiva
A ausência de transparência sobre essas etapas reforça a necessidade de apuração mais aprofundada.
Uma denúncia que reposiciona o debate
https://www.instagram.com/reel/DXh5RLyj0mU/?igsh=MWNqYm1jdjh6YnFrNA==
Ao trazer o caso à tona, Héber Farias desloca o debate de uma justificativa técnica para uma discussão política e estrutural.
Sua atuação evidencia que o problema não é apenas o fungo — é o modelo de gestão e o descaso, também na Cultura de Osasco.
Em um cenário onde muitas vezes o silêncio prevalece, a denúncia pública cumpre um papel essencial: romper a normalização do descaso.
O que vem a seguir
O caso deve avançar para novas etapas:
• possíveis esclarecimentos oficiais
• análise técnica independente
• apuração de responsabilidades administrativas
Enquanto isso, permanece a pergunta central:
(…) quem responde pela perda de um acervo que pertence à população?
Repercussão e acompanhamento
O vídeo publicado pelo vereador segue circulando nas redes sociais e ampliando o alcance da denúncia, pressionando por respostas e transparência.
https://www.instagram.com/reel/DXh5RLyj0mU/?igsh=MWNqYm1jdjh6YnFrNA==
O Tabloide 360, através de sua Redação acompanha os desdobramentos.
Redator Chefe – Humberto Brassioli Corsi

