Foto Divulgação – Prefeitura Cotia

A Emenda 103 de 2019, que regulamenta a adequação da Previdência no país, foi arrastada pelo Município por seis anos, como se as vidas envolvidas não fossem absolutamente nada.

Com discursos e atitudes habituais a todas as gestões, a ordem estabelecida ultrapassa a razão, que se desconhece em todos os sentidos, e o que passa a importar é fazer para resolver.

Com o piloto automático ligado, o gestor da cidade de Cotia manda para a Câmara Municipal a Emenda 103/19, que determina, sem parcimônia, quanto tempo o poder público vai usufruir da sua sobrevivência e dos dias contados por você, à espera da aposentadoria.

Com seus artigos nos ferindo como punhais, a longevidade da nossa existência se torna um fardo ao lermos os dispositivos da Emenda 103/19, diretamente ligada à Lei Orgânica do Município, determinando que homens, para se aposentar, devem ter 65 anos de idade e mulheres, 62 anos, além de 25 anos de contribuição, considerando que ambos possuem aposentadoria especial.

Ressalta-se que o exemplo dado abrange apenas um fragmento do funcionalismo público.

O acréscimo congela os ossos, e a indignação toma conta dos servidores que, em todas as gestões, desde que foi implantado o sistema de previdência privada, pagam o pato e não recebem nem os ossos como forma de retorno aos seus recursos retidos, classificados como solidários aos que já estão aposentados.

Nesse parto arrancado a ferro, a municipalidade age com total e absoluta liberdade e autonomia para administrar os recursos do Cotiaprev, sem interferência dos maiores interessados: os servidores.

Alimentados por fatos salpicados, muitas vezes confundidos com boatos, recebemos notícias a conta-gotas sobre acordos referentes à parte patronal, que nunca chega em dia, mantendo o sistema nessa insegurança.

E, para não dizer que não falei das flores: solicitar informações e diálogo é sempre visto como sinal de desconfiança ou como se estivéssemos bisbilhotando o uso dos nossos recursos, descontados religiosamente todos os meses.

Nessa tragédia entre viver e se aposentar, a legislação que deveria ser imparcial pesa em uma balança sem o prato esquerdo, deixando o servidor desamparado, com as mãos do patronato em seus bolsos rasgados, lutando contra o tempo, à espera de um dia se aposentar — quem sabe sentado na fila da UTI ou na geladeira do IML.

por Silvana Bezerra.

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