Programas de apoio psicológico, campanhas de conscientização e ações de bem-estar têm ganhado espaço nas empresas.
Mas cuidar da saúde mental dos profissionais exige ir além de iniciativas pontuais e observar como o próprio trabalho é organizado no dia a dia.
A avaliação é de Luciane Xavier, gestora de projetos e especialista em Recursos Humanos, com atuação em saúde mental, diversidade, inclusão, segurança psicológica e desenvolvimento de pessoas e lideranças.
Para ela, um dos principais equívocos das organizações ainda é tratar o tema de forma isolada, como se o cuidado estivesse concentrado apenas no indivíduo.
“Não adianta oferecer apoio psicológico e, ao mesmo tempo, manter ambientes em que as pessoas têm medo de falar, de pedir ajuda, de discordar ou até de admitir que estão sobrecarregadas. Saúde mental também é uma responsabilidade organizacional”, afirma.
Os resultados mais recentes do Radar da Inclusão 2026, realizado pelo Instituto Locomotiva em parceria com a Talento Incluir e o Pacto Global da ONU – Rede Brasil, ajudam a dimensionar o problema.
Entre pessoas com deficiência e/ou neurodivergentes que estão na força de trabalho, 76% já vivenciaram ao menos uma situação de capacitismo.
O levantamento ouviu 2.526 pessoas em todo o país.
Quando o recorte chega à saúde mental, 71% afirmam que o trabalho piorou seu nível de estresse, ansiedade ou cansaço emocional nos últimos 12 meses, enquanto 72% relatam que situações de capacitismo vivenciadas ou presenciadas afetaram negativamente sua saúde mental ou emocional.

Quando a liderança também faz parte do problema
Para Luciane, os dados reforçam a necessidade de deslocar parte da discussão sobre saúde mental do indivíduo para o ambiente em que ele trabalha.
Isso significa observar a forma como as metas são estabelecidas, como a sobrecarga é percebida, como profissionais são reconhecidos e, principalmente, como as lideranças se relacionam com suas equipes.
O próprio Radar da Inclusão mostra que 53% dos profissionais que relataram preconceito ou discriminação citaram gestores como responsáveis pelas situações vivenciadas.
Entre aqueles que comunicaram episódios de capacitismo às empresas, somente 18% avaliaram ter sido totalmente acolhidos.
“Muitas vezes, um profissional é promovido porque entrega tecnicamente e tem muita experiência na sua área, mas não recebeu preparo para gestão de pessoas. Isso acaba impactando o time. Precisamos preparar as lideranças e criar espaços seguros de escuta e diálogo”, explica Luciane.
Outro erro, segundo a especialista, é agir apenas depois que o problema já apareceu.
“A prevenção precisa fazer parte da estratégia. Quando a empresa só toma providências depois que a situação chegou ao limite, ela está atuando sobre a consequência. É preciso olhar antes para o ambiente, para as relações e para a maneira como o trabalho acontece.”
Da inclusão à gestão de pessoas
A discussão faz parte da própria trajetória profissional de Luciane.
Com formação em Administração e Serviço Social, ela atua há cerca de 12 anos com desenvolvimento humano e organizacional.
Atualmente, uma de suas principais frentes está ligada à inclusão profissional no terceiro setor, especialmente no desenvolvimento e na inserção de pessoas neurodivergentes no mercado de trabalho.
Em paralelo, atua como especialista e consultora de RH, desenvolvendo projetos relacionados a saúde mental e bem-estar, diversidade e inclusão, segurança psicológica, desenvolvimento profissional e formação de lideranças.
Essa combinação entre gestão e desenvolvimento humano também orienta uma de suas principais defesas: empresas precisam sair do discurso e observar como inclusão, saúde mental e bem-estar aparecem concretamente nas relações cotidianas.
“É olhar para o dia a dia: como as pessoas são cobradas, como são reconhecidas, se conseguem falar sobre dificuldades sem medo de julgamento ou retaliação e se realmente encontram espaço para serem ouvidas. Cuidar da saúde mental também é rever a forma como o trabalho acontece.”
Reconhecimento no RH
Em 2026, Luciane Xavier foi indicada ao HR Influencers, na categoria Groundbreakers.
A iniciativa, promovida pela GOintegro | Edenred, reconhece profissionais que contribuem para as discussões e transformações na gestão de pessoas no Brasil e em outros países da América Latina e Espanha.
A etapa de votação da edição deste ano aconteceu até o 4 de outubro.
Para Luciane, a indicação se conecta a uma trajetória construída justamente na interseção entre desenvolvimento humano, inclusão, bem-estar e transformação das relações de trabalho.
Mais do que ampliar a discussão sobre saúde mental, sua defesa é que o tema deixe de ocupar apenas campanhas e calendários corporativos e passe a integrar decisões sobre cultura, liderança e gestão de pessoas.
Sobre Luciane Xavier
Luciane Xavier é gestora de projetos e profissional de Recursos Humanos e atua com desenvolvimento humano, inclusão profissional, diversidade, saúde mental, bem-estar e segurança psicológica.
Formada em Administração e Serviço Social, desenvolve projetos de desenvolvimento de pessoas e lideranças, consultoria e iniciativas voltadas à inclusão de pessoas neurodivergentes no mercado de trabalho.
Em 2026, foi indicada ao HR Influencers, na categoria Groundbreakers.
por Carlos Augusto Rodrigues – Produção Cultural.


Humberto Brassioli Corsi – Redator Chefe
Tabloide 360 | Informação com Contexto

