PIERO FRANCESCHIMAI 12, 2026
O trabalho contemporâneo não entrou em crise por falta de método, tecnologia ou esforço. Ele entrou em colapso por falta de narrativa.
Trabalhamos muito, nos comunicamos o tempo todo, produzimos relatórios, metas e indicadores em abundância e, ainda assim, poucas pessoas conseguem explicar com clareza por que fazem o que fazem.
Existe movimento, mas não existe história.
Existe atividade, mas não existe enredo.
O trabalho acontece, mas não se sustenta como experiência humana.
Quando o trabalho vira apenas uma sequência de demandas desconectadas, ele deixa de ser vivido e passa a ser suportado.
A semana se transforma em uma sucessão de reuniões sem ligação entre si, tarefas urgentes que se acumulam e prioridades que mudam sem explicação.
Nesse vazio de sentido, o humano se desconecta.
Onde o porquê não é explicitado, outras narrativas ocupam o espaço: comparação com o que está fora, ressentimento com decisões que não se entendem, vitimismo silencioso e fuga mental como mecanismo de autoproteção.
É nesse ponto que muitas lideranças se confundem sobre o próprio papel.
O líder que apenas informa não lidera.
Ele administra fluxo de dados.
Ser narrador do trabalho é assumir uma função esquecida e decisiva da liderança contemporânea.
O narrador não se limita a repassar metas ou distribuir tarefas.
Ele traduz motivos.
Conecta atividades a intenções.
Explica por que aquele projeto existe, por que aquele esforço é necessário agora e qual o papel específico de cada pessoa naquela construção.

Tabloide 360 – Informação com Contexto
por Humberto Brassioli Corsi – Redator Chefe


