Representantes de movimentos sociais, lideranças sindicais, integrantes da sociedade civil e candidatas às Eleições 2026 participaram, na manhã deste sábado, 3 de setembro, de um encontro na sede do Sindicato dos Servidores Públicos do Estado de São Paulo (SISPESP), no centro da capital paulista, que marcou a criação do VEMP-SP — Visibilidade Eleitoral para Mulheres e Pretos.
A iniciativa foi idealizada por Eugênio Tadeu Bernardes, diretor de Assuntos da Área das Fundações do SISPESP, e surge com a proposta de discutir mecanismos capazes de ampliar a participação e, principalmente, a visibilidade pública de grupos historicamente sub-representados nos espaços políticos.
O encontro ocorreu durante o período oficial da campanha das Eleições Gerais de 2026 e, segundo seus organizadores, pretende estabelecer um espaço permanente de diálogo, apresentação de ideias e aproximação entre sociedade civil e pessoas que participam do processo eleitoral.

Representatividade ainda é desafio
A discussão promovida pelo VEMP-SP encontra respaldo em um cenário nacional no qual mulheres e pessoas negras ampliaram sua participação eleitoral, mas continuam enfrentando diferenças importantes em financiamento, estrutura partidária, exposição pública e competitividade.
Dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral para as Eleições de 2026 mostram que, entre **20.560 candidaturas consideradas no cálculo oficial destinado à distribuição de recursos eleitorais, 7.165 são de mulheres, ou 34,85%.
No recorte de raça e cor, o TSE contabilizou 10.206 candidaturas de pessoas negras — classificação que reúne pessoas pretas e pardas — equivalentes a 49,64% do total nacional.
Em São Paulo, um levantamento elaborado a partir dos registros eleitorais apontava 1.426 candidaturas para deputado estadual, concorrendo às 94 cadeiras da Assembleia Legislativa paulista. Desse universo, 464 eram candidaturas femininas, aproximadamente 32% do total.
Os números ajudam a dimensionar o desafio levantado durante a reunião: registrar uma candidatura representa apenas uma das etapas da participação política.
Ter recursos, estrutura, acesso à comunicação e capacidade de apresentar propostas ao eleitorado também interfere diretamente na competitividade eleitoral.
Movimento pretende criar espaços de diálogo
Durante o encontro, os participantes discutiram possíveis linhas de atuação para o VEMP-SP.
Entre os temas levantados estiveram a criação de oportunidades para apresentação de candidaturas e projetos políticos, fortalecimento da presença nos meios digitais, comunicação nas redes sociais, divulgação de propostas e orientação sobre formas legalmente permitidas de financiamento e arrecadação eleitoral.
O movimento também pretende realizar novos encontros e rodas de conversa abertas à apresentação de propostas de pessoas candidatas interessadas, ampliando o debate sobre representação política, igualdade racial, participação feminina e acesso aos espaços de decisão.
A proposta, segundo os idealizadores, é construir um ambiente no qual diferentes experiências possam ser conhecidas pelo público, estimulando maior participação da sociedade no processo democrático.

Lideranças e representantes participaram do encontro
A reunião teve como anfitriã Kátia Cristina Rodrigues Silva, presidenta do SISPESP, que, segundo a organização do evento, participou também representando o Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB).Kátia está à frente do sindicato paulista, enquanto Eugênio Tadeu Bernardes integra oficialmente a atual diretoria da entidade.
Também esteve presente Mônica Calazans, candidata a deputada estadual por São Paulo pelo Solidariedade.
A candidatura de Monica Aparecida Calazans consta nas bases eleitorais de 2026 para a disputa de uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Outra candidata Keila Pereira participou acompanhada de sua assessoria de campanha.
Participaram ainda Américo Laureano, empresário da área de prestação de serviços e representante da empresa Servtime Doctor Hygiene, e Rosimeire Almeida Tomaz, ligada à ONG Capelães de Cristo, além de assessores e demais convidados.
Comunicação e financiamento exigem atenção às regras eleitorais
Como o encontro ocorre durante o período oficial de campanha, algumas das propostas debatidas pelo movimento estão submetidas diretamente às regras da Justiça Eleitoral.
A legislação permite manifestações políticas, debates, entrevistas e cobertura jornalística, mas estabelece limites específicos para propaganda e financiamento.
O impulsionamento pago de conteúdo eleitoral na internet, por exemplo, somente pode ser contratado pelas candidaturas, partidos, federações, coligações ou representantes legalmente autorizados.
A legislação também proíbe propaganda eleitoral, ainda que gratuita, em sites ou perfis pertencentes a pessoas jurídicas quando o conteúdo assume natureza propriamente propagandística.
Da mesma forma, pessoas jurídicas não podem realizar doações eleitorais, direta ou indiretamente.
Arrecadações precisam ocorrer pelos mecanismos previstos pela Justiça Eleitoral, com recursos provenientes das fontes legalmente autorizadas e devidamente registrados nas prestações de contas das campanhas.
Portanto, iniciativas de apoio à participação política podem promover debates, cidadania, informação e discussão pública, mas eventual financiamento, publicidade ou impulsionamento em benefício de candidaturas deve permanecer sob responsabilidade das estruturas eleitorais legalmente habilitadas.
Diversidade também passa pelo acesso às estruturas de campanha
Além da existência formal das candidaturas, outro ponto central do debate sobre representatividade está na distribuição dos recursos.
Nas Eleições 2026, as normas do TSE estabelecem regras específicas para a destinação de recursos públicos às candidaturas de mulheres, pessoas negras e indígenas.
O objetivo é reduzir desigualdades históricas que não aparecem apenas na quantidade de candidaturas registradas, mas também nas condições efetivas de disputa.
O próprio Tribunal Superior Eleitoral destaca que os percentuais de candidaturas desses grupos são utilizados como referência para a distribuição dos recursos provenientes do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha.
Para os integrantes do VEMP-SP, ampliar a visibilidade significa justamente colocar esse debate para além das estatísticas, permitindo que propostas, trajetórias e diferentes experiências sociais encontrem espaço no processo eleitoral.
Próximos encontros
A expectativa dos organizadores é que novas reuniões sejam promovidas durante as próximas semanas, reunindo representantes sociais, lideranças, especialistas e participantes do processo eleitoral.
As próximas atividades deverão manter a proposta de rodas de conversa e exposição de ideias, com atenção às normas estabelecidas pela legislação eleitoral.
Informações e contato do VEMP-SP
⚖️ NOTA EDITORIAL
Esta reportagem possui caráter exclusivamente jornalístico e informativo. A citação de candidatas, partidos, entidades ou participantes do encontro não representa apoio, indicação de voto ou preferência eleitoral do Tabloide 360. O veículo mantém independência editorial e poderá noticiar iniciativas semelhantes promovidas por diferentes candidaturas, partidos, movimentos e segmentos da sociedade durante o processo eleitoral de 2026, observando os critérios jornalísticos de interesse público, relevância e pluralidade.
Tabloide 360 — Informação com Contexto
por Humberto Brassioli Corsi – Redator Chefe



