Há momentos em que uma carreira muda antes mesmo de o currículo registrar a mudança.

Para Karla Lemos, esse momento aconteceu dentro de uma agência bancária.

Depois de ouvir de uma liderança que “esperava mais”, mesmo entregando resultados, ela subiu as escadas, chorou e fotografou a si mesma.

Mandou a imagem ao marido com uma decisão: não queria voltar a se sentir daquela forma.

Anos depois, encerrou uma trajetória de 11 anos no banco e reconstruiu a carreira em torno de comunicação, liderança e desenvolvimento profissional.

Para Débora Xavier Martins, a mudança veio depois de experiências que a fizeram questionar uma lógica de trabalho em que números podiam se tornar mais importantes do que as pessoas.

Com quase 20 anos de atuação em Recursos Humanos, ela passou a olhar para carreira, liderança e desenvolvimento a partir de outra pergunta: quanto de si alguém precisa abandonar para corresponder ao que esperam dela?

E para Gabriela Saturno, coragem atravessa uma trajetória que não cabe em uma única definição profissional.

Empreendedora, multiartista audiovisual, fotógrafa, filmmaker e estrategista de comunicação, ela passou também pelo ambiente corporativo de Recursos Humanos e hoje conecta criatividade, identidade, comunicação e impacto social.

Travesti, integra ainda a diretoria do CAIS Samy Fortes e atua em iniciativas de educação, cidadania e inclusão.

Três mulheres, histórias muito diferentes e uma experiência em comum: a decisão de não permitir que cargos, expectativas ou modelos prontos contem sozinhos quem elas são.

É justamente dessa multiplicidade que nasce o “Vozes que Lideram“, projeto idealizado por Jackeline Camillo que reúne mais de 20 mulheres entre executivas, empresárias, empreendedoras e futuras lideranças.

O projeto parte de uma provocação simples, mas pouco feita a mulheres que já construíram longas trajetórias profissionais: qual história dentro de você ainda precisa ganhar o mundo?

A liderança que existe além do cargo

Os números ajudam a dimensionar o grupo: 96% das participantes ocupam posições de liderança, a experiência média ultrapassa 20 anos e estão representados setores como Recursos Humanos, tecnologia, saúde, educação, consultoria, indústria, telecomunicações e negócios.

Mas o Vozes que Lideram foi construído justamente para chegar onde os números não chegam.

Nas escolhas que exigiram coragem. Nos recomeços.

Nas situações em que foi necessário impor limites.

Na maternidade.

No preconceito.

Na necessidade de reconhecer o próprio valor.

Na dificuldade de ocupar determinados espaços.

E na pergunta sobre que marca cada mulher quer deixar depois de tantos anos construindo carreira, equipes, negócios e relações.

Jackeline Camillo conhece esse universo de dentro.

Com mais de 20 anos de experiência em Recursos Humanos — dez deles em posições de liderança —, construiu sua atuação em gestão e desenvolvimento de pessoas, cultura corporativa e impacto humano.

Hoje é também mentora, consultora, palestrante e autora.

Ao idealizar o projeto, ela propôs que mulheres que já acumularam experiência profissional pudessem transformar essa bagagem em narrativa, posicionamento, influência e legado.

Não se trata, portanto, de ensinar essas mulheres a terem uma voz.

A voz já existe.

O movimento é reconhecer sua potência e ampliar até onde ela pode chegar.

Karla traduz parte dessa descoberta quando fala sobre o que deseja revelar no projeto:

“Quero trazer a Karla corporativa, a Karla profissional.”

Sua história também carrega uma ideia que ela chama de auto merecimento: reconhecer que determinados lugares também lhe pertencem e não permitir que a percepção de outras pessoas determine até onde pode avançar.

Mulher preta, Karla relaciona essa força também às experiências de racismo e preconceito vividas desde cedo.

Débora traz outra dimensão.

Para ela, reconhecer o próprio valor também significa aprender a estabelecer limites e não se anular para agradar lideranças, clientes ou ambientes profissionais.

Ao falar sobre mulheres na liderança, questiona ainda a expectativa de que precisem se tornar mais rígidas ou esconder emoções e aspectos da própria vida para serem consideradas competentes.

E Gabriela amplia essa conversa pela própria trajetória: sua presença conecta diferentes mundos e ajuda a desafiar uma ideia única sobre quem é — e como deve ser — uma mulher que lidera.

Esse talvez seja um dos pontos centrais do Vozes que Lideram.

Não existe uma personagem ideal.

Existem mulheres diferentes, com histórias diferentes, encontrando novas maneiras de fazer com que aquilo que viveram alcance outras pessoas.

Em novembro, as histórias chegam ao papel

Um dos principais momentos do projeto acontece em 06 de novembro de 2026, com o lançamento de um livro coletivo publicado pela Editora Lisboa, na Livraria Drummond – na Avenida Paulista em São Paulo.

Os capítulos serão escritos pelas próprias participantes, em primeira pessoa, a partir das forças e vulnerabilidades que contribuíram para construir suas trajetórias.

O livro será, ao mesmo tempo, registro e ponto de partida.

Porque quando uma história deixa de ser guardada apenas por quem a viveu, ela pode encontrar outra mulher, provocar identificação, ampliar uma conversa ou até alterar a percepção de alguém sobre o próprio caminho.

É essa ideia que aparece em uma das frases que acompanham o projeto:

“Quando uma mulher amplia sua voz, ela amplia o caminho para muitas outras.”

Mais informações sobre o Vozes que Lideram e suas próximas ações podem ser acompanhadas na página do projeto no LinkedIn.

https://www.linkedin.com/company/vozes-que-lideram/

Tabloide 360 – Informação com Contexto

por Humberto Brassioli Corsi – Redator Chefe


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